#Entrevista, Conhecendo os Artistas da Cidade, Programação Cultural

Conheça Milene Marques

Nesta semana conversei com a Contadora de Histórias Milene Marques que se apresentará na Mostra Verão de Literatura Infantil, confira a entrevista. Informações sobre a Mostra e sobre as Contações de Histórias pode ser obtida no setor de Cultura do SESC Gravataí através do email jlsouza@sesc-rs.com ou fone: 51 3497-6174.

Milene Marques, é arte educadora, professora de língua espanhola, formada em pedagogia também Contadora de Histórias.

milene marques#ConheçaAMilene

MM – Em primeiro lugar quero agradecer do fundo do coração pela oportunidade. Falar sobre nós mesmos é sempre um desafio e nos faz analisar nossa trajetória – o que nos remete ao despertar daquele sentimento de gratidão por tudo que passamos.
Quem não gostaria de ter aquela história de que ouviu o grande chamado pela profissão desde o berço? De que sempre soube na infância que chegaria aos 38 anos de idade fazendo isso ou aquilo? Bom, essa história não é a minha, sinto dizer (risos). Minha história é sim de paixão, porque sou apaixonada pela vida e sempre fiz tudo com muito amor e dedicação, mas não fazia ideia – nem na adolescência – de que cairia na rede da educação e da arte. Quando parei para escutar meu âmago, meu interior, minha essência ( e isso faz pouco, apenas 10 anos) soube que a licenciatura em Pedagogia seria meu caminho, então mergulhei de cabeça e me dediquei com afinco e afeto aos estudos. Na faculdade fazia sempre os trabalhos em dia (ou antecipados), lia todos os textos (e outros mais), amava aprender, isso me fazia sentir viva e cheia de expectativas. Tive a grande dádiva de atuar no ramo da Pedagogia Social e lá conhecer pessoas que me são caras até hoje, aprendi muito com cada criança, cada colega, cada situação. Até que li um anúncio sobre uma vaga de estágio na biblioteca do Sesc, meu coração disparou, amante da literatura queria muito poder ter a oportunidade de vivenciar essa magnífica experiência, e assim, com o coração partido por deixar meus pequenos mestres abracei essa chance e me lancei ao desconhecido. Atuando como estagiária na biblioteca vivi outros momentos ainda mais maravilhosos, conheci gente de um coração sem dimensão e posso dizer que fiz muitos amigos. Minha “chefinha” Luciana Farias foi meu guia espiritual, minha orientadora, que pacientemente me ensinou o ofício de atuar dentro de uma biblioteca. Até que me deu um desafio: Contar Histórias em uma sessão do Brincando nas férias, quase morri do coração, fiquei bem nervosa, tensa, pois acreditem – sou um pouco tímida sim – mas encarei, tinha que cumprir com meu dever. Nunca vou esquecer esse dia, a primeira história contada foi “Dona Baratinha”, a segunda “A almofada que não dava tchau” e muitas, muitas outras vieram depois. Posso dizer com orgulho e gratidão que Luciana foi minha madrinha – ela tem um lugar muito especial em meu coração.

Contando e recontando histórias germinou o grande desejo de empreender nascendo assim a Mult&Plic Ações Pedagógicas e Culturais, empresa que hoje presta serviços a escolas, livrarias e empresas de promoção cultural. Bom, mas a história não é da empresa e sim minha pessoal então seria muito, muito injusto deixar de mencionar outra grande paixão: a língua espanhola. Antes de me formar como Pedagoga terminei o curso de espanhol e vencendo essa etapa o sonho: lecionar língua estrangeira. Foi outra jornada rodeada de desafios, guardo até hoje o recorte do jornal com o anúncio da vaga de professor que participei pela primeira vez e que me abriu as portas com carinho, nem preciso dizer que no primeiro dia de aula praticamente enfartei, estava tão nervosa que quase matei meus alunos de tanto falar. Resultado: estou até hoje na mesma escola e posso afirmar que não tenho alunos, tenho amigos novos a cada ano. E o máximo da realização de um professor de idiomas: já formei duas turmas, quem dá aula de espanhol em cursos livres sabe o quanto é difícil concluir todos os níveis, muitos alunos se “perdem pelo caminho”, mas aqueles que se desafiam e vão até o final tem um lugarzinho especial em nossos corações.

Meu desafio atual é unir cada vez mais meus dois mundos e disseminar mais e mais Contações de Histórias bilíngues. E não acaba por aí, esse ano estou desenvolvendo novos projetos, mas isso é uma outra história, quem sabe contarei mais adiante!?!.

 

GC – Quem são suas inspirações?
MM – Vem das histórias, das pessoas que me cercam, das crianças, desse mundo novo digital que clama por histórias contadas de coração a coração, dos meus amores e afetos, dos meus alunos, de tudo. Somos seres sociais, como dizia Aristóteles, o contato com o outro sempre nos transforma e nos inspira. Para nos inspirarmos basta abrir o coração e se deixar encantar pela vida pulsante ao nosso redor.

GC – Quais suas realizações na arte?
MM – Muito inquieta corri para o dicionário e lá estava: ARTE – capacidade que tem o homem de, dominando a matéria, por em prática uma ideia… Aaahhhhh bom, agora sim consigo pelo menos me enxergar um pouco (ainda não totalmente) nesse meio – ideias me perseguem, às vezes chega ser um tormento, sou irrequieta, como diz minha irmã – irritante e inquieta – (que calúnia), preciso de muitas tarefas para serenar a mente. Quando preparo uma história, primeiro me apaixono por ela, vivo e revivo inúmeras vezes cada detalhe, depois as ideias vão se orquestrando e a criação do espetáculo toma forma. Lógico que sempre carrego traços de uma Pedagoga, afinal é isso que sou, então mesclo conhecimentos acerca da psicologia genética de Piaget, da Psicogênese da Pessoa Completa de Wallon, sócio-interacionista de Vygotsky e por aí vai. Os seres são em essência o que clama sua interioridade e temos que levar em consideração sua totalidade, inclusive quando contamos histórias, mas vale lembrar: o objetivo não é “ensinar algo” através de histórias – CONTAR HISTÓRIAS é o objetivo principal, plantar a sementinha do leitor literário, deixar a imaginação rolar, permitir a entrega do público.

É isso que me realiza, sinto-me completa atuando, posso ser a Milene estudiosa, pesquisadora, brincalhona, emotiva, alguém se entrega às relações, que se sente tocada pelo carinho do outro, posso falar com minha vozinha boba, posso cantar, posso deixar a “Leninha criança” atuar lado a lado com adulta. Sou todas essas e estou inteira quando conto histórias.

Ainda afirmo: não sou uma artista, sou uma Pedagoga apaixonada pela literatura e que por não “nanar” sua criança interior segue lendo e contando histórias infantis.
GC – Sobre as Contações de Histórias que serão apresentadas no Sesc. 
MM – Trabalhar é algo magnífico, não é? Sou apaixonada pelo que faço e procuro fazer tudo com muito amor, seja nas aulas de espanhol, seja nas formações docentes ou Contando Histórias. Agora, o que mais adoro de verdade é ser desafiada, é ter de estudar para me aprimorar, lançar-me a novas jornadas, explorar caminhos desconhecidos… Na resposta anterior disse que conseguia pelo menos me ver (parcialmente) caminhando nesse mundo da arte, por que não totalmente? Ora, a definição da palavra é clara – capacidade do homem de, “dominando a matéria”, por em prática uma ideia… DOMINANDO??? DOMINANDO??? Não, não dá! Não consigo sentir em hipótese alguma que “domino” tudo acerca do universo literário, por mais que se aprenda sempre haverá outras aprendizagens, impossível cessar ou dominar os conhecimentos. A literatura infantil é um campo tão vasto, um mundo tão cheio de encantos e mistérios que conhecer tudinho é algo inatingível – pelo menos na minha opinião. Cada novo trabalho é sempre um desafio e sempre aprendo algo diferente.

Para as contação que ocorrerão em fevereiro na Mostra verão de literatura infantil / 7º Traçando Histórias, uma dedicação especial foi direcionada, é um evento único, um ambiente onde cada traço ilustrado carrega uma forma de contar a história. Quando contamos histórias no teatro, por exemplo, onde o público não “vê” o livro, o sentir as emoções presentes na história devem ser trabalhadas de uma forma diferente… No 7º Traçando Histórias será distinto, lá cada risco conta algo e quem interpreta são os leitores. Tive que me preparar, estudar, pesquisar, deixar a imaginação rolar, as ideias germinarem. Aprendi muito (gratidão) e o resultado você acompanhará no evento. A escolha da bibliografia também foi tarefa difícil. Confesso que tenho uma quedinha pela Eva Furnari, sua forma de ilustrar é divertida, fala por si, e suas rimas?!?! Encantadoras… Da autora trabalharei com o livro “Não confunda, Assim assado e Você troca?”

Angela Lago também será contemplada com seus trabalhos “iluscritos” onde apresento: A visita dos 10 monstrinhos e Sete histórias para sacudir o esqueleto.

Já Ana Raquel terá diferentes abordagens, apresento Pé de Tudo e mais um pouco (livro iluscrito) e outros trabalhos onde atuou como ilustradora, como: Se as coisas fossem mães (de Sylvia Orthof) onde Ana Raquel nessa reedição brinca de “passar a limpo” algumas de suas ilustrações antigas e apresenta outras novas; Em Minissaia, batom e futebol (de Letícia Sardenberg) a técnica usada para ilustrar foi um misto de desenho com caneta e tablet via photoshop + colagens fotográficas.  Ilustrar é trazer luz, iluminar – como diz Ana Raquel – então prepara os óculos escuros porque essa mostra vai brilhar!!!
Depois de tanto falar sobre mim e sobre meu trabalho (oh tarefa difícil) gostaria apenas de agradecer a todos os que passaram por meu caminho e aos que ainda se atrevem a andarilhar por esse mundo meio turbulento. Somos uma mescla daquilo que experimentamos em todas as relações, você, sim, você mesmo! Saiba que deixou muito de suas vivências impressas em mim, obrigada por isso. Espero que sigamos nos “chocando” e transformando nossas vidas de forma divertida e poética… Era uma vez aqui, era uma vez ali… Felizes para sempre, venha contar com gente! Agradeço a toda equipe de Cultura do Sesc Gravataí – vocês dão luz à minha vida!

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